quarta-feira, 23 de agosto de 2017

my S

nunca vi pestanas tão longas e lindas na minha família. não sei o que fazer com taaaaaaaaanta malandrice, personalidade, selvageria, o que se quiser chamar. não sei como lidar com este menino tão doce e tão desafiante para mim. tira-me do sério e eu gostava de saber falar a mesma linguagem dele, para podermos chegar a alguma conversa comum.

nunca vi sobrancelhas tão delineadas e escuras na minha família. este nariz que muda e é cada vez mais do pai, este rabo quadrado que reconheço, esta personalidade de quem quer ser gente rapidamente, de quem não deixa que lhe façam mal, nem a ele nem aos seus, começando pela mana. nunca vi tantos nãos, verbais ou simplesmente em ações.

quanto mais conheço o meu S, mais sinto falta da minha sogra que nunca conheci, nunca pude falar mal, nem nunca me enraiveceu. tenho cada vez mais como certo que ela teria bons conselhos para me dar, daqueles de quem tem experiência.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

forever home (yap.. again!)

apaixonei-me por uma casa, já o disse aqui antes. foi algures por fevereiro março do ano passado. "apaixonar" é uma palavra forte, especialmente se pensar que apenas a vi na net. na altura era impensável comprar casa, enviei o link ao A, falámos da casa, na verdade, falámos muitas vezes, mas nunca lhe propus irmos ver. sinto que foi uma paixão platónica, como na adolescência, que apaixonamo-nos por alguém ao longe, sem o conhecermos de verdade. mas a verdade é que a casa deixou de estar na net muito rápido, foi vendida à velocidade da luz mas eu senti que aquela podia ser o nosso lar para sempre, a nossa forever home, onde os nossos filhos cresceriam, faríamos muitas festas de aniversário, muitos natais em família (e apesar do stress, da trabalheira e de algumas mágoas, eu acho que gostaria que a nossa fosse a casa onde se passassem a maioria dos Natais). nós, apaixonados por algo que  nunca seria nosso, batizámo-la por "Casa do Limoeiro". foi vendida mas dei por mim a falar sobre ela muitas vezes e, estupidamente, a pensar e a sonhar (acordada e a dormir) com ela quase todos os dias por quase um ano.

até que as nossas condições mudaram um pouco e o A quis começar a ver casas. eu fui do contra, porque temos uma situação de heranças por resolver. mas decidimos ir vendo na internet, apenas online, para começarmos a ter noção do mercado atual.

e este sábado, estávamos nós nas únicas mini férias a quatro que teremos este ano, e eu a estragá-las (ou pelo menos sem aproveitar) por uma gastroenterite. depois de dormir a sesta com o mais novo enquanto o A foi com a D à farmácia, dei por mim já sem sono, cheia de dores mas felizmente o S ainda dormia para eu poder estar muito sossegada e encolhida e sem canais de jeito liguei a net. a pesquisa foi semelhante a tantas outras, o site onde entrei é que não costumo ir.
vi a lateral duma vivenda tão familiar que pensei que fosse gémea da minha forever home. ao abrir as fotos fiquei com o cérebro literalmente parado. QUAIS SÃO AS HIPÓTESES? de me apaixonar por uma casa o ano passado e ela estar novamente agora à venda?
quando mostrei ao A continuava sem palavras.
- é a do Limoeiro? [silêncio] diz-me, é a do Limoeiro?

poucos segundos depois estávamos a pedir para marcar uma visita, e segunda feira, já em nossa casa e sem contacto da agência, telefonei.

continuará a ser a "Casa do Limoeiro", apaixonados sem a conhecermos de perto. continuará a ser aquela que poderia ter sido a nossa forever home, cada vez mais com a certeza de que encontraremos a nossa.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

voltar, aos poucos.

aos poucos as coisas voltam a tomar forma. aos poucos retomo as conversas perdidas algures, sempre sem fim, para às vezes cair no ridículo de perguntar inúmeras vezes sobre aquele assunto. aos poucos respiro mentalmente e tenho capacidade de fazer mais coisas giras com os miúdos. aos poucos consigo limpar a cozinha (literalmente aos poucos, porque não posso fazer duma só vez), deito fora o perfeccionismo que me deixava no sofá se não tivesse tempo para começar e acabar uma tarefa. não faço nada tão perfeito como antes, mas faço mais em menos tempo, ando mais descansada com isso. aproveito que os miúdos estão  acordados antes das sete e, enquanto espero pelo A para poder voltar a dormir, ganho força e arrumo roupas. aos poucos a casa e a vida volta a organizar-se. vejo o fundo duma gaveta que não sei quando foi a última vez que o vi, organizo washi tapes e até encontro uma chave que tenho ideia que não sabia dela desde a última mudança, há mais de oito anos!

aos poucos, a consciência de que a vida segue aos poucos :)

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