quarta-feira, 16 de agosto de 2017

forever home (yap.. again!)

apaixonei-me por uma casa, já o disse aqui antes. foi algures por fevereiro março do ano passado. "apaixonar" é uma palavra forte, especialmente se pensar que apenas a vi na net. na altura era impensável comprar casa, enviei o link ao A, falámos da casa, na verdade, falámos muitas vezes, mas nunca lhe propus irmos ver. sinto que foi uma paixão platónica, como na adolescência, que apaixonamo-nos por alguém ao longe, sem o conhecermos de verdade. mas a verdade é que a casa deixou de estar na net muito rápido, foi vendida à velocidade da luz mas eu senti que aquela podia ser o nosso lar para sempre, a nossa forever home, onde os nossos filhos cresceriam, faríamos muitas festas de aniversário, muitos natais em família (e apesar do stress, da trabalheira e de algumas mágoas, eu acho que gostaria que a nossa fosse a casa onde se passassem a maioria dos Natais). nós, apaixonados por algo que  nunca seria nosso, batizámo-la por "Casa do Limoeiro". foi vendida mas dei por mim a falar sobre ela muitas vezes e, estupidamente, a pensar e a sonhar (acordada e a dormir) com ela quase todos os dias por quase um ano.

até que as nossas condições mudaram um pouco e o A quis começar a ver casas. eu fui do contra, porque temos uma situação de heranças por resolver. mas decidimos ir vendo na internet, apenas online, para começarmos a ter noção do mercado atual.

e este sábado, estávamos nós nas únicas mini férias a quatro que teremos este ano, e eu a estragá-las (ou pelo menos sem aproveitar) por uma gastroenterite. depois de dormir a sesta com o mais novo enquanto o A foi com a D à farmácia, dei por mim já sem sono, cheia de dores mas felizmente o S ainda dormia para eu poder estar muito sossegada e encolhida e sem canais de jeito liguei a net. a pesquisa foi semelhante a tantas outras, o site onde entrei é que não costumo ir.
vi a lateral duma vivenda tão familiar que pensei que fosse gémea da minha forever home. ao abrir as fotos fiquei com o cérebro literalmente parado. QUAIS SÃO AS HIPÓTESES? de me apaixonar por uma casa o ano passado e ela estar novamente agora à venda?
quando mostrei ao A continuava sem palavras.
- é a do Limoeiro? [silêncio] diz-me, é a do Limoeiro?

poucos segundos depois estávamos a pedir para marcar uma visita, e segunda feira, já em nossa casa e sem contacto da agência, telefonei.

continuará a ser a "Casa do Limoeiro", apaixonados sem a conhecermos de perto. continuará a ser aquela que poderia ter sido a nossa forever home, cada vez mais com a certeza de que encontraremos a nossa.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

voltar, aos poucos.

aos poucos as coisas voltam a tomar forma. aos poucos retomo as conversas perdidas algures, sempre sem fim, para às vezes cair no ridículo de perguntar inúmeras vezes sobre aquele assunto. aos poucos respiro mentalmente e tenho capacidade de fazer mais coisas giras com os miúdos. aos poucos consigo limpar a cozinha (literalmente aos poucos, porque não posso fazer duma só vez), deito fora o perfeccionismo que me deixava no sofá se não tivesse tempo para começar e acabar uma tarefa. não faço nada tão perfeito como antes, mas faço mais em menos tempo, ando mais descansada com isso. aproveito que os miúdos estão  acordados antes das sete e, enquanto espero pelo A para poder voltar a dormir, ganho força e arrumo roupas. aos poucos a casa e a vida volta a organizar-se. vejo o fundo duma gaveta que não sei quando foi a última vez que o vi, organizo washi tapes e até encontro uma chave que tenho ideia que não sabia dela desde a última mudança, há mais de oito anos!

aos poucos, a consciência de que a vida segue aos poucos :)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

saudades

este fim-semana pensei sobre pequenotes. estive com um de dois meses, vi uma mana grande, ainda com chucha, a dar miminhos ao mano pequenino, já com chucha.

a conclusão é só uma: isto passa depressa demais.

preciso de me esforçar para me lembrar dos dias em que apenas usufrui da vida deles, das fotos lindas que tenho deles juntos a brincar. as primeiras gargalhadas e brincadeiras e cumplicidades conjuntas.

não quero ter mais filhos, não quero passar por tudo outra vez, apesar de todo o esforço numa só altura, não o trocava por nada: adoro ter os meus dois Bichinhos com vinte e dois meses de diferença.. mas ver tantos pequeninos nos últimos tempos, aquilo que me fez sentir, fiquei a questionar o que desejo para o futuro. mas concluo que a questão não é o futuro mas sim o passado.
não tenho saudades de ter um bebé, ou grande vontade de ter um novo bebé. tenho saudades dos meus bebés muito pequeninos, nos meus braços, no trocador, no berço, ao colo.. tenho vontade de voltar quatro anos e meio atrás, dois anos e dez meses atrás, para voltar a sentir-lhes o corpo todo enrolado e enroscado a mim, com aquele cheiro tão próprio de cada um. quero pedir um desejo (ou dois), de voltar exatamente esse tempo atrás e lá ficar por um dia, ou umas horas.

o problema é se vou parar a um daqueles dias que não me aturava a mim própria, algo incomodava e não paravam de chorar, sem verbalizarem e sendo tão pequenos, sem eu saber o que podia fazer para os ajudar. o problema é se vou parar a um daqueles dias em que queria que passassem dois anos num abrir e fechar de olhos.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

inscrições

inscrevi o S no colégio.
lembro-me tantas vezes de estar no comboio, com a minha amiga Ana a falarmos sobre os tipos de colégios, a minha ignorância sobre o assunto e a necessidade de aprender rapidamente, para poder informar-me o suficiente para fazer uma boa e atempada decisão em relação à inscrição da D. tinha ela um ano.
agora está prestes a fazer cinco, ele três. agora está ela prestes a entrar no pré escolar, ele no colégio. agora, penso muitas vezes que cada decisão pequena tem tantos impactos e pode ter um peso tão grande.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

hoje sonhei

na verdade o sonho foi de ontem e não de hoje.

"Sara" foi a palavra que esteve sempre presente no sonho.
o teste que iria confirmar era de sangue, uma cena muito sádica - precisavam de sangue mas o mesmo tempo também precisavam de ficar com algum tipo de informação em mim, então o meu dedo iria ser colocado numa espécie de máquina de costura, a agulha iria fazer com que o sangue fosse extraído e deixava-me uma linha cosida, de um lado ao outro do dedo.
"Sara". eu não estava a conseguir deixar a minha mão quieta no local e por isso o A agarrou-me, enquanto eu gritava (não sei se o grito era só por dentro ou também por fora).. não só de medo da agulha mas porque tudo aquilo me estava a sufocar. "Sara".
pensei que era um assunto mais que resolvido em mim, e de vez em quando.. este "Sara" gigante que se apodera, pondo tanto em causa, fazendo-me estar um dia inteiro a chorar, a questionar-me, a pensar que posso estar a matar os planos de Deus para mim, a ver carros e constantemente os "e se" na minha mente.
no segundo em que a máquina furou o meu dedo, a médica teve a informação que precisava, e escondida em frente ao monitor, grita do outro lado da sala: eu sabia, vão ter uma menina!
"Sara".
esqueci de lhe perguntar de que tempo estava.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

online

gosto tanto de fazer compras online!

comparamos tudo o que nos apetece.
pensamos o que temos a pensar.
pedimos opinião.
vamos à concorrência e comparamos preços.
gravamos e pensamos mais um pouco.
imaginamos com tempo a compra em nossa casa.
decidimos, compramos, escolhemos dia e hora, pagamos.. tudo sentados!

tenho a experiência de ir buscar aos CTT, irem levar ao trabalho, a um local de parceria, a casa.
tenho experiência de comprar roupa, comida, detergente, sapatos, roupa mini, frutos e legumes biológicos..
e agora.. vou ter de móveis! viva a nova loja IKEA online (não, não ganho nada com a publicidade!).

e depois, aquelas cócegas na barriga no dia de entrega à espera que a campainha toque, o entusiasmo enquanto os senhores sobem até nossa casa, o cheiro a "coisa nova"!

e a espera que o meu irmão mais velho vá lá a casa ajudar na montagem :)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

sonhos

lembro-me de ser muito miúda e sonhar, muito. lembro-me de algures quando eu andava na primária, estar no trabalho da minha tia e ao falar-lhe sobre um sonho que tinha tido, uma cliente dizer "coitadinha, assim não descansas durante a noite". lembro-me que sempre dormi mal, mas nunca associei aos sonhos.
sempre tive sonhos maus e angustiantes, muitas vezes tive pesadelos de acordar encharcada em suor e tão assustada que não conseguia adormecer novamente, ainda os tenho.
sempre tentei não lhes dar importância, não porque me tenham dito para o fazer, mas porque era a minha única opção: que outra coisa fazer quando sonhava com pessoas reais a fazerem mal a outras? quando eu fazia mal a outras? quando via alguém morrer?
muito mais tarde a minha ideia em relação à sensibilidade que todos podemos ter de ler o que não está escrito começou a mudar. como ficam os sonhos neste novo pensar? ainda não sei.

recentemente, fiquei feliz quando sonhei que uns amigos estavam grávidos e estavam. não por eu ter acertado mas por eles o desejarem. senti-me mal quando sonhei que comprei a vivenda duns amigos, quando acordei sentia que tinha roubado-lhes algo e no dia seguinte soube que eles estavam a divorciar-se. fiquei incomodada quando sonhei que os pais duma amiga tinham ido para o hospital e a mãe tinha morrido, telefonei-lhe durante o dia e perguntei pelos pais, sem dar motivos. a verdade é que ambos estão velhotes e vi-os à pouco, podia ter feito 'o filme' porcausa disso.
fiquei assustada quando sonhei que uma das minhas maiores amigas tinha cancro e estava muito mal já nos últimos tempos de vida, pensei que a mãe dela morreu à pouco tempo de cancro e misturei tudo no estúpido sonho.
e hoje, não sonhei, foi ela que me contou, que após os exames preliminares, vai agora fazer uma ressonância magnética porque encontraram caroços onde não deviam estar com aspecto que não deviam ter. e ela questiona-se se deve ou não fazer tratamento caso seja necessário.
e agora faço o que fiz sempre, desde que aprendi a escrever: escrevo um sonho mau. não para depois saber se se tornou real, mas para passá-lo para o papel (ou para o virtual) e a seguir conseguir simplesmente esquecê-lo.

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